Os juizes, pastores, politicos profissionais, repórteres, editores e etc possuem um estranhamento tão profundo em relação ao mundo de populações que raramente aguçam ouvidos e olhos para perceber essas realidades sob outros ângulos, de forma critica e na praxis. Desse modo, vários clichês são repetidos como verdades inquestionáveis. A própria idéia de crime organizado deve ser (re)vista com cuidado. Se existe crime organizado, certamente ele não está nas favelas, nem se configura por ter um telefone celular dentro de cadeias. 

Organizada é a chegada da droga e das armas. Organizada é a venda das armas que vão parar nas mãos daqueles que são responsáveis pelo varejo da droga. O arsenal que qualquer um que entra nas favelas onde há venda de drogas pode ver chegar em parte pelas mãos das próprias forças estatais. Não são poucas as histórias de sequestro de fuzis, com pedido de resgate para devolvê-los, feitos por aqueles que se dizem ao lado da lei. 

Organizada também é a produção dessas armas e a sua distribuição pelo mundo. Nenhuma das grandes armas que se vêm nas favelas: AR-15s, AKs, G3, etc são produzidas no Brasil. São empresas multinacionais, totalmente legalizadas, que fabricam essas armas massivamente, independentemente de seus países estarem ou não em guerra. Essas armas são fabricadas sem controle, em uma quantidade que, para tornar sua comercialização lucrativa, precisa de grandes e pequenas guerras sendo fomentadas cotidianamente no mundo. 

Nossa “guerra particular” é fundamental nisso e o proibicionismo em relação à venda e consumo de drogas é um combustível essencial. Mais armas pros comerciantes, mais armas para o Estado combater os comerciantes. Dinheiro que poderia ser investido na saúde, educação, cultura, trabalho, renda e emprego para de fato combater as causas da violência. Hoje o que se gasta para combater o comércio e o consumo das substâncias proibidas é mais do que se gastaria em saúde pública para tratar os drogaditos caso seu uso fosse liberado. 


Organizada também é a entrada do dinheiro ilegal do tráfico internacional de drogas e armas no sistema financeiro. Os bancos, instituições financeiras do mundo “legal”, recebem esse dinheiro e ajudam assim a limpá-lo, permitindo que ele vá alimentar legalidades e ilegalidades que são parte de uma mesma coisa sob o capitalismo financeirizado. Dito de outra maneira, não é possível existir tráfico de drogas, seja o grande tráfico internacional seja o varejo dos condomínios e das favelas, sem a conivência das instituições financeiras. Isso demonstra o quanto é falsa e mistificadora a culpabilização dos usuários de drogas pela violência gerada pela presença e uso de armas de grosso calibre por toda a cidade. 


O consumo de maconha, por exemplo, é histórico entre as camadas populares de nossa cidade, compondo estilos de vida e assumindo sentidos culturais negados pelo proibicionismo. Quanto à classe média, tal consumo se difundiu sobretudo no esteio da contracultura, a princípio como contestação à sociedade de consumo e depois adquirindo novos significados, mas sempre com algum resquício de rebeldia. No caso dos chamados “viciados”, sobretudo em cocaina e crack, são pessoas que merecem tratamento, pois são portadores de uma doença que deve ser vista como problema de saúde pública e não como resultado de falhas de caráter. 

Desresponsabilizar o Estado e sua fracassada política de combate ao crime é obscurecer a importância daqueles que verdadeiramente lucram com essas “guerras” que aumentam a venda de armas e jornais. 

Algumas perguntas ficam sem respostas. 
Por que, por exemplo se elegem as favelas como o palco do combate ao comércio de drogas? 
Todos sabem que o comércio e consumo de substâncias ilegais correm soltos em boates frequentadas pela classe média e classe média alta nacional e no entanto não existem registros de “operações” realizadas nessas localidades. Nem em condomínios de luxo onde se consomem drogas e que também invadem áreas de mata atlântica, poluem lagoas e mares numa escala muito mais ameaçadora do que os barracos das favelas. 

Por que os inimigos da sociedade foram eleitos entre aqueles para quem o comércio varejista de drogas é emprego, é alternativa de uma vida sem muitas alternativas? 
A grande maioria dos jovens que hoje empunham as armas nas favelas não têm acesso à educação de qualidade, à saúde, ao emprego digno, à equipamentos culturais públicos ou privados (muitos jamais foram ao cinema, por exemplo). 
São esses os inimigos da sociedade? 
Em meio a essas reflexões, lembrei de uma frase de Bertolt Brecht: 
“Aquele que desconhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e a chama de mentira é um criminoso.”

Cabe perguntar: 
De quantos crimes cotidianos é feito o combate ao crime no Brasil?

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A

Acompanhando o lançamento do Future-se (leia-se #Fature-se). Há riscos graves no projeto. As universidades públicas brasileiras têm o desafio de expansão do ensino publico, gratuito e de qualidade – Harvard não é modelo: tem poucos alunos, alunos muito ricos e brancos majoritariamente.

As alternativas de financeirização são menos elaboradas do que o receituário ruim da “Education Commission” de Gordon Brown. Em nenhum lugar do mundo funcionou. Um modelo pior não funcionará no Brasil, vale lembrar que este desgoverno é especialista em copiar projetos daninhos a pretos, pobres e periféricos, vide o exemplo da Previdência no Chile, referencia para Paulo Guedes. A adesão ao projeto submeterá as universidades federais a riscos e mudanças de prioridades. Captar recursos será a meta. Universidade não é indústria e educação não é produto e nem mercadoria a ser comercializada. Patentes se resolvem com política comercial e industrial.

O aspecto mais perverso do projeto é utilizar o patrimônio acumulado das universidades públicas federais sob o modelo atual como moeda de troca para o modelo proposto. Ou seja: dilapida o que há de bom para determinar um modelo ruim e desigual. O modelo é tão desigual que o MEC, na apresentação, repetiu reiteradas vezes que ele não gera desigualdades: repetindo uma mentira para virar uma verdade. Gera porque freia a democratização do acesso ao ensino superior, além de ter como pano de fundo o fim das cotas etnicas/raciais.

O modelo chama-se “Future-se”. Poderia ser “Vire-se” ou o que esta colocado #Fature-se. A base foi Milton Friedman (líder da escola de economia de Chicago), segundo o MEC. Todas as políticas educacionais do mundo pensadas sob o trabalho desse autor fracassaram. Não há nada que indique que será diferente no Brasil.

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O projeto do MEC falha em tentar alavancar a economia pela educação. O que alavanca a economia e a educação em conjunto é um projeto de desenvolvimento para o Brasil, algo impossível sob esse desgoverno. Projeto exige articulação e planejamento. Não sou contra startups. Mas não considero a roupagem millennial das “Pequenas e Médias Empresas” ‘O’ caminho. Doutorandos estão desempregados. Financiamento para novos negócios é bom, mas não é suficiente para destravar a economia. E o desemprego não é culpa dos doutores.

As Universidades brasileiras podem e devem fazer pesquisa aplicada, criar patentes, explorá-las. Inovação deve ser uma palavra resgatada do seu exílio utilitarista e virar um objetivo de pesquisa. O que não pode é fazer discurso leve para abandonar a educação superior pública. Por último, o projeto freia a democratização das Universidades e cria meios de privatizar a gestão. Ajuda o coiso eleito antidemocraticamente, o emissário da morte, presidente do braZil a desconstruir um contrapeso ao seu desgoverno, pois ataca a Ciência. “Future-se” pode ser um caminho para o pior Brasil desde 1889. Certamente é o pior desde 1988.

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Fonte: G1

Planejando a Próxima Década Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de Educação

1) 2003: Jair Bolsonaro, no Congresso, defende milícias e grupos de extermínio;

2) 2007: Flávio Bolsonaro defende legalização das milícias;

3) 2008: Flávio Bolsonaro na ALERJ durante a votação para instauração da CPI das milícias, após dois repórteres do jornal O DIA serem barbaramente torturados por milicianos na Favela do Batan: “Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a FELICIDADE dessas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, a uma imposição hedionda por parte dos traficantes e que agora pelo menos dispõem dessa garantia, desse direito constitucional, que é a SEGURANÇA PÚBLICA. Façam consultas populares na Favela de Rio das Pedras, na própria Favela do Batan, para que haja esse contrapeso também”;

4) 2011: A juíza Patrícia Acioli é assassinada com 21 tiros no Rio por milicianos. Flávio Bolsonaro, após a morte, vai ao twitter e difama a magistrada;

5) 2015: A juíza Daniela Barbosa é agredida por milicianos durante uma inspeção no Batalhão Especial Prisional durante uma inspeção no Rio. Flávio Bolsonaro sai em defesa dos agressores;

6) 2015: Flávio Bolsonaro foi o único dos 70 deputados da ALERJ que votou contra a CPI dos Autos de Resistência, que visa apurar possíveis fraudes nas mortes perpetraras por policiais. A CPI surgiu após um vídeo mostrar PMs mexendo na cena do homicídio de um homem na favela da Providência, na Zona Norte do Rio. As imagens mostram os policiais colocando uma arma na mão de dele após ser assassinado;

7) 2015: José Padilha expõe que deixou o Brasil após ameaças de morte sofridas em razão do filme Tropa de Elite 2, que escancara o problema das milícias e sua relação com o poder público;

8) 2018: Jair Bolsonaro, em campanha à presidência, defende milícias que atuam no Rio e diz que “naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”;

9) 2018: Flávio Bolsonaro faz campanha com família ligada ao jogo do bicho, organização que que se fortificou justamente durante a Ditadura (especula-se que bicheiros do segundo escalão se tornaram milicianos);

10) 2018: Marielle é assassinada. Forte suspeita de envolvimento de milicianos e políticos. Silêncio na família Bolsonaro;

11) 2018: Policiais que integram a campanha de Bolsonaro são presos na Operação Quarto Elemento, que investiga a atuação de milicianos que praticavam extorsões. Os dois PMs presos são irmãos de Valdenice de Oliveira, a Val do Açaí, assessora e tesoureira do PSL;

12) Dois candidatos do partido de Bolsonaro quebram uma placa de homenagem à Marielle e posam sorrindo, junto ao Witzel. No mesmo evento, os candidatos falam que vão “DECAPITAR AQUELES VAGABUNDOS DO PSOL”. Flavio Bolsonaro defende a atitude dizendo que a “placa era ilegal”.

13) Ministério Público do Rio de Janeiro afirma ter colhido provas de que uma milícia de São Gonçalo teria atuado em favor de um dos candidatos de Jair Bolsonaro à ALERJ, o coronel Fernando Salema (PSL);

14) Organizadora do “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” é agredida no Rio de Janeiro;

15) Clã Bolsonaro é eleito e jornalista diz que quem postou “Marielle presente” estará fora do governo;

16) COAF revela que Fabrício, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, fez movimentação atípica de R$ 1,233 milhão entre 2016 e janeiro de 2017. O ex PM já cometeu pelo menos 10 homicídios;

17) O COAF descobriu que, além do lote de 1,2 milhão de reais, passaram também pela conta corrente do assessor de Flávio Bolsonaro 5,8 milhões de reais nos dois exercícios imediatamente anteriores.

18) Novo relatório do COAF aponta Flávio Bolsonaro recebeu R$ 96 mil em 50 depósitos fracionados. Ele alega que o dinheiro vivo é fruto da venda de um imóvel;

19) É revelado que Queiroz, antes de ir para o Albert Einstein, se escondeu na favela de Rio das Pedras, dominada pela milícia;

20) Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete, suspeitos de assassinarem Marielle.

21) Flávio Bolsonaro foi o único parlamentar que votou contra a concessão da medalha Tiradentes à
Marielle.

22) NOTICIA DE AGORINHA: Prisão de dois envolvidos no assassinato de Marielle Franco.
Um mora no mesmo condomínio de Bolsonaro e o outro possui foto com o mesmo, provando contato direto entre os dois.

Fontes:

1) https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/em-discursos-bolsonaro-ja-exaltou-milicias-e-grupos-de-exterminio.html?fbclid=IwAR1ZynU4oh-0Nz__rZLl9YrNDxt8yLYgNzcOlYS5ZbLQcGI4igoos4mcgWg

2) http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1477397-EI7896,00-Deputado+quer+legalizar+milicias+no+Rio.html?fbclid=IwAR2rPQjGNDqfDveusZ2A8FudzvCe6UW7MQUJL_OXoiYA6pIK2TColz6OlRM

3) http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/taqalerj2006.nsf/5d50d39bd976391b83256536006a2502/d8acec134b8797f983257b6b0064c41f?OpenDocument&fbclid=IwAR15ZKlj5_x7f4irQldnzebkZ-wQhooVnMh8T5uRP6AAAJ-rMmyPGkdXMdw

4) https://www.terra.com.br/noticias/brasil/policia/filho-de-bolsonaro-diz-que-juiza-morta-humilhava-reus,322ccc00a90ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html?fbclid=IwAR31GjqqrRNwJiOKWhUFFV8Hvu7uKq0Oq4owXfFy68U8DZ-sF4Uysq29vA0

5) https://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/rj-no-ar/videos/rio-flavio-bolsonaro-defende-detentos-apos-agressao-a-juiza-no-batalhao-especial-prisional-02102015?fbclid=IwAR1caAnhyMUEwou1T-8NjaeMQ6Fx12EI9SDlCm_UMhvQ1u4ykg2qiP6GxYc

6) http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/10/alerj-aprova-cpi-para-investigar-fraudes-em-autos-de-resistencia.html?fbclid=IwAR3nCCNfmXUHwoZK13pFZ_QLC0Kj40O3MueAxHE6LRmFpkKhHDjDg2IWoK8

7) https://jovempan.uol.com.br/entretenimento/jose-padilha-diz-revista-que-mudou-para-o-exterior-apos-ser-ameacado-de-morte.html?fbclid=IwAR2WHOGh9OM6kh1-eh9j6vozvAyOpkchgzR_3b1p9WBBpb9h_OobI2oasuU

8) https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/em-discursos-bolsonaro-ja-exaltou-milicias-e-grupos-de-exterminio.html?fbclid=IwAR2pxGRQq9PEkgbQ7Pa0AtTxqFAQfKkUqd-IKvpuv04ege1NPQ6yUI9-OCk

9) https://www.opovo.com.br/noticias/politica/ae/2018/10/familia-ligada-ao-jogo-do-bicho-apoia-bolsonaros-no-rio.html?fbclid=IwAR0MW6ThtTxxCyjfltoRXrok4OXahG9pPAtqrLLg4VvSckeuiBb59dwV6dw

10) https://veja.abril.com.br/blog/maquiavel/de-treze-pre-candidatos-so-bolsonaro-ignorou-morte-de-marielle/?fbclid=IwAR1raNf6n-Q1Gd5YpZsaJ5mQSQMcCZfkzM7wlY82W9Vtdotiyd6V2_4ps1w

11) https://br.noticias.yahoo.com/policiais-presos-integravam-campanha-de-filho-de-bolsonaro-no-rio-130136245.html?fbclid=IwAR1ZELJKuyvo5PV_qg-wRL2USLQN8dxj26PtHOA7nCJBxUj2SJsjCm0EvDc

12) https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,flavio-bolsonaro-defende-destruicao-de-placa-pro-marielle-por-correligionarios,70002532531?fbclid=IwAR0mn7lMnSoQYILb2CR1WP4bDRURpHDt9woD0gk5yMZkjtS-iNSav7rQxhc

13) https://jornalggn.com.br/noticia/milicianos-sao-flagrados-ajudando-candidato-de-bolsonaro-no-rio?fbclid=IwAR1BXUg4vcMhwOfCmfv5r-YXR1U4Z-yviupEeS7PPPW6g8vBnL7wBdP3EII

14) https://exame.abril.com.br/brasil/administradora-do-grupo-mulheres-contra-bolsonaro-e-agredida-no-rio/?fbclid=IwAR1i3dD2eaRQbsb6zv_307jiVtHkf6j8i9PmQV8A8NMjhwI0MAjWpmCM83s

15) https://www.opopular.com.br/editorias/politica/governo-vai-demitir-quem-postou-ele-não-fora-temer-ou-marielle-vive-diz-jornalista-1.1696885?fbclid=IwAR1NytIN-5Vl7O55qKz-sNXnBDEAEm5iROzhtq5hzB9PsO9pGR9oY4oA8CU

16) https://www.brasil247.com/pt/247/sudeste/380762/Queiroz-tem-pelo-menos-dez-mortes-no-currículo-de-PM.htm?fbclid=IwAR3_flmRJBNwUvUkLEvUo885m9NaacBuecFAjpTDP08AGtYedsTVwSSTmm0

17) https://www.revistaforum.com.br/segundo-o-coaf-queiroz-movimentou-r-7-milhoes-em-suas-contas-em-apenas-tres-anos/?fbclid=IwAR2mo7Q4hZYDvNdqW99LxnU6t2w9xP8cKGIm5jc5MiDVdc4DyHzdP4_b8XE

18) https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/20/flavio-bolsonaro-diz-que-depositos-fracionados-sao-dinheiro-vivo-recebido-em-venda-de-apartamento.ghtml?fbclid=IwAR0mVKfYrG7REGxlPI_cD8AKjwB3emxJy-qg8G5tZuZH7LDkNJ9-iSdX4EU

19) https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/queiroz-se-escondeu-na-favela-de-rio-das-pedras.html?fbclid=IwAR1yNsZ7mEcmLlAhTSZmU7pn_OLB_Kf8ug2PI91cbIHECrAPrw_EiAp26Xs

20) https://oglobo.globo.com/brasil/flavio-bolsonaro-empregou-mae-mulher-de-chefe-do-escritorio-do-crime-em-seu-gabinete-23391490?fbclid=IwAR3

21) https://www.revistaforum.com.br/flavio-bolsonaro-foi-o-unico-deputado-que-votou-contra-conceder-medalha-tiradentes-a-marielle-franco/?fbclid=IwAR2HBUsWoC-czy0iWj9aPNdFal_wkNCs6jQMXawIdkWoZ6CFG4Obdq-RMqM

22) https://istoe.com.br/internautas-mostram-foto-de-suspeito-de-assassinato-de-marielle-com-bolsonaro/

“Agora é Bolsonaro, porra”, disse o aspirante a deputado Rodrigo Amorim na campanha de 2018, segurando a placa com o nome de Marielle. Ao seu lado, o futuro governador Wilson Witzel

Queiroz era PM e amigo pessoal do nosso presidente antes de ser motorista de Flávio Bolsonaro.

Ao ser investigado e intimado a depor, Queiroz se escondeu no Rio das Pedras, favela dominada por milicianos na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Esses milicianos, do grupo chamado “Escritório do Crime”, já foram homenageados pela Assembleia Legislativa do RJ a pedido de Flávio Bolsonaro.

Hoje alguns desses milicianos foram presos por participarem da execução de Marielle Franco em março do ano passado.

Flávio empregou, também, em seu gabinete, a mãe e a esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, um dos homenageados por Flávio preso hoje de manhã, chefe do “Escritório do Crime” e acusado há mais de uma década por vários homicídios. Adriano também é amigo de Queiroz.

Sim, camaradas, o senador e filho do presidente, assim como o próprio presidente, são muito provavelmente amigos e parceiros dos assassinos de Marielle e de outras vítimas da milícia.

E tem mais: tem um monte de dinheiro de Flávio Bolsonaro e seus assessores (principalmente Queiroz) aparecendo com a origem mais que suspeita. Sabe qual é uma das origens mais comuns de dinheiro ilegal no RJ? Extorsão de estabelecimentos localizados em áreas controladas por milícias.

Quanta coincidência, não?

Algumas notícias que merecem atenção da sociedade civil e das instituições democráticas desse país:

Fato 1: “Operação prende (em Rio das Pedras) suspeitos de envolvimento no assassinato de Marielle Franco”. “Há indícios de que alvos comandem Escritório do Crime, braço armado da organização, especializado em assassinatos por encomenda”.

Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/operacao-prende-suspeitos-de-envolvimento-no-assassinato-de-marielle-franco-23389700

Fato 2: “Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete”.

Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/flavio-bolsonaro-empregou-mae-mulher-de-chefe-do-escritorio-do-crime-em-seu-gabinete-23391490

Fato 3: Queiroz se escondeu na favela de Rio das Pedras

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/queiroz-se-escondeu-na-favela-de-rio-das-pedras.html

Fato 4: Flávio Bolsonaro propôs homenagem a PM preso acusado de comandar milícia

Fonte: https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2019/01/22/flavio-bolsonaro-propos-homenagem-a-pm-preso-acusado-de-comandar-milicia/

Fato 5: Em discursos, Bolsonaro já exaltou milícias e grupos de extermínio

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/em-discursos-bolsonaro-ja-exaltou-milicias-e-grupos-de-exterminio.html

Fato 6: Deputado (Flávio Bolsonaro) quer legalizar milícias no Rio

Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1477397-EI7896,00-Deputado+quer+legalizar+milicias+no+Rio.html

Estou sendo muito humilde, ponderado e decidido sobre meu afastamento do PCdoB, e possível, até então, desfiliação, em respeito a minha trajetória de militância e de muitas pessoas por quem tenho enorme carinho e admiração.

Busquei ouvir e escutar vários e varias militantes, mais novos e mais velhos, ouvir e escutar a sabedoria popular e de base, buscando construir uma decisão o mais assertiva possível no que diz respeito a minha militância política partidária institucionalizada nesta agremiação.

Não me tinha desfiliado ainda porque não queria ser um número negativo em momento de construção e disputa de imaginários e isso se inicia em 2013. Em 2014 encampamos em uma das mais duras campanhas eleitorais desde a redemocratização, passamos por um processo de construção da retomada da governabilidade da Presidenta Dilma, barrando pautas bombas, nos conselhos nacionais que compomos fizemos o bom combate, sem em momento algum titubear ideológica e programaticamente com quem for, porem o golpe se consolidou e com ele o inicio de uma serie de retrocessos em políticas publicas e programas direcionados à população preta e pobre foram gradativamente sendo dissolvidos.

Devo ressaltar que o PCdoB desenvolveu um trabalho elogiado por varixs quadrxs de partidos de direita e de esquerda e me ajudou muito a ler o mundo em uma pesperctiva ainda mais critica e transformadora.

Mas é impressionante a sucessão de escolhas políticas desastrosas, na minha ótica, que as direções municipais, estaduais e nacional vêem tomando nos últimos anos. Pior ainda, ler e ouvir narrativas fantasiosas pra justificar um fisiologismo que envergonha qualquer comunista, reformismo e conciliação de classes nesta conjuntura é inadmissível.

Fico me perguntando o que pessoas como Grabois, Elza Monnerat, Osvaldão, Dina, Helenira, João Amazonas e tantxs outrxs pensariam sobre toda essa degenerescência.

Estou buscando guarida em novas trincheiras.

Entendendo o momento histórico;

Entendo a necessidade da construção coletiva, denegrida, solidária e alinhada com as necessidades e demandas do povo preto e pobre e a necessária busca por protagonismo preto nas esferas de poder e decisão;

Entendo que determinadas contradições não devem ser apaziguadas com retórica e desprendimento das raízes da luta proletária, pela Igualdade, justiça, solidariedade e anti racista;

Entendo que em análises para além da conjuntura precisamos construir organismos de bases potentes e alinhados organicamente no sentido da virada de mesa em um contexto de ampliação das violações de direitos humanos e da sustentabilidade de novas e renovadas ações e projetos.

O PCdoB apoia o candidato apoiado pelo neofascista presidente Jair Bolsonaro.

E ainda “esclarece”: “descarta bloco com PSL”.

É ou não é surreal? Será que um partido, supostamente comunista, poderia sequer cogitar “bloco com PSL”? A ponto de se dizer explicitamente que esse não é o caso.

O oportunismo desavergonhado a que chegamos não tem limites.

Depois de apoiar o candidato de Bolsonaro, presidente de extrema-direita, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), golpista de carteirinha, um dos líderes do desmonte neoliberal da economia do nosso país, entreguista desde sempre, os oportunistas acham que podem “salvar a face” ao dizer que “descartam bloco com PSL” – essa a função´do adendo, só concebível em quem chafurda completamente no oportunismo.

Aqui a chave da “argumentação” da decisão oportunista do PCdoB, transcrita do “Portal Vermelho“:

“De acordo com Luciana Santos, a atual conjuntura pede uma composição mais ampla para o cargo. ‘Neste momento, com uma correlação de forças tão adversa, não era possível imaginar que uma candidatura do nosso campo sairia vitoriosa. Era necessário fazer composições políticas que permitam que nosso combate, debate de ideias e resistência possam se desenvolver. Precisamos ter no comando da Casa alguém que respeite o papel da Oposição e das Minorias, porque vivemos uma onda antidemocrática, de ataque ao nosso campo e é necessário a gente ter relações institucionais que possam garantir que a resistência e a atuação do bloco da Oposição se dê com o mínimo de civilidade e respeito às diferenças que temos com as pautas que vão vir do governo para a Câmara dos Deputados’, afirmou.

Para ela, Maia, entre os candidatos, é o que melhor reúne condições para assumir compromisso com a institucionalidade e autonomia do Poder Legislativo. ‘Estabelecemos uma relação de confiança com o deputado Rodrigo Maia há mais de três anos, inclusive cumprindo compromissos com o PCdoB’, pontuou”.

Luciana Santos é a presidenta do PCdoB – na foto, com o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), um dos articuladores do apoio a Maia; aliás, em 2016, ele já havia sido um dos principais cabos eleitorais da candidatura de Maia, nitidamente comprometida com o golpismo e o estado de Exceção vigente.

Há tempos o PCdoB desenvolve a “teoria”, ou melhor, repete a “teoria”, chorumela esdrúxula (estranha e hostil ao marxismo) da autonomia da “luta institucional”.

Trata-se do bê-á-bá para qualquer comunista: a atuação dos comunistas nas instituições burguesas só tem sentido subordinada à luta popular de massas, deve inclusive servir para estimulá-la.

Não existe, a não ser para o liberalismo, a “autonomia da luta institucional”, que não tem outra função que não a de apartar, distanciar, separar o povo da luta política, entregue com exclusividade aos “representantes” do parlamento, ou a mandatários do Executivo.

Isso pode ser “muito bonito” para as falsas idealizações do liberalismo, mas para comunistas, e sua teoria, o marxismo, tem outro nome: cretinismo parlamentar.

É cretinismo parlamentar reduzir a atual eleição da Câmara à “Casa”, como diz Luciana, ou achar que uma das principalidades desta eleição é que “neste momento, com uma correlação de forças tão adversa, não era possível imaginar que uma candidatura do nosso campo sairia vitoriosa”.Resultado de imagem para pc do b abraça a direita

Isso é a ótica de quem limita a política ao plenário da Câmara dos Deputados.

Como é patente também neste trecho: “Era necessário fazer composições políticas que permitam que nosso combate, debate de ideias e resistência possam se desenvolver”, e o mais que se segue.

Não, Luciana, o combate dos comunistas, e de todos os democratas, se desenvolve na medida que animem a resistência popular ao bolsonarismo, e, para isso, subordinem sua atuação parlamentar a este objetivo.

Não será apoiando o candidato de Bolsonaro que estimularemos a luta contra o governo neofascista.

Nem sequer, não nos apoiando no povo, nos divorciando dele, sinalizado pelo apoio a Maia, não teremos condições sequer de garantir “o mínimo de civilidade” pretendido.

Maia não tem nada de confiável, e não é necessário ser comunista, a corrente política mais radicalmente democrática, para perceber isso. É só se ater aos fatos, e à folha corrida de Maia.

Mas se vê a causa do cretinismo parlamentar ao se constatar que não é de hoje, é de há muito tempo: o PCdoB, em grande parte se tornou um partido meramente eleitoral, fato completamente estranho à necessidade da existência de um partido comunista; que não pode, obviamente, perverter suas características e se metamorfosear em um partido “eleitoral”, semelhante, aos partidos burgueses.

O desvio de direita vem de longe, presente como também está agora na articulação deste bloquinho – para “ampliar a luta”, companheiros? -, que busca aglutinar siglas, com o “detalhe” de pretender excluir a sigla mais forte da esquerda, o PT.

Bloquinho que vem a calhar para um político arrivista burguês notório como Ciro Gomes, sempre pronto a ter uma desculpa para a ausência da luta antifascista.

O PCdoB abra o olho, está cada vez mais parecido, com seu desvio de direita, ao antigo Partidão. E foi o direitismo que levou à liquidação prática do antigo PCB.

Os comunistas honestos, e são muitos, dentro do PCdoB, não podem assistir passivamente a posições desmoralizadas e desmoralizantes com o o apoio a Maia.

Há duas tática na luta contra o bolsonarismo, a dos liberais, e a democrático-popular.

Os comunistas devem lutar por exercer seu papel de vanguarda na luta democrática e popular, nunca ficar a reboque dos liberais.

Apoiar Maia é tão ruim que consegue ser até pior que ficar a reboque dos liberais, o que já seria péssimo; é para lá de péssimo: é conciliar com o governo neofascista de Bolsonaro.

Resultado de imagem para pc do b abraça a direitaNeste sentido me despeço do Partido Comunista do Brasil rogando que a práxis seja revolucionária e alinhada com os oprimidos e oprimidas do Brasil e da América do Sul.

 

 

 

 

Vida que segue na luta por #NenhumDireitoAMenosParaPretosEPretas

Bob Controversista

Você acredita que meninos devem usar azul e meninas cor-de-rosa?

Que brincar de boneca é coisa de menina e brincar de carrinho é coisa de menino?

Sinto lhe informar, mas você está defendendo a ideologia de gênero.

Mas o que é ideologia de gênero? Você sabe você quem inventou isso?

Gostaria de tratar/entender essa concepção e mais justamente esse conceito que já se tornou figurinha carimbada deste novo (des) governo e no vocabulário dxs manipuladxs por Fake News, a tal da ideologia de gênero. Na verdade a ideologia de gênero foi forjada no Vaticano nos anos 90 sobre pontificado do Papa João Paulo II, mas foi a ativista cristã norte-americana Daly O’Leary que popularizou o termo com seu livro chamado Agenda de Gênero, Redefinindo a Igualdade” –  Daly O’Leary .

Para Daly O’Leary ideologia de gênero seria uma espécie de técnica de lavagem cerebral feita por professores, educadores e pesquisadores para transformar inocentes crianças em gays, lésbicas, travestis, transexuais e afins e por isso que nos últimos anos toda vez que o termo gênero era utilizado em alguma política pública ou na educação, na segurança, na saúde e etc os religiosos políticos já construíam uma grande e desvairada ofensiva para atacar a política ou iniciativa.

Dale O'Leary, jornalista freelancer

Dale O’Leary

Mas a questão central aqui é – Ideologia de Genero existe ou não?

Já adiantando que dentro do campo dos estudos acadêmicos, ideologia de gênero não é uma área reconhecida, não é sequer um campo de estudos, ele só existe mesmo dentro dos círculos cristãos, fundamentalistas, católicos e evangélicos, o que existem nas universidades são estudos de gênero e já posso garantir que apesar da variedade das epistemologias que existem na ceara dos estudos de gênero nenhum autor ou autora quer transformar seu filho ou filha em homossexual.

Agora sim dentro dessa área são desenvolvidos questionamentos sobre os rígidos padrões de gênero que vejam, só depende da ideologia para se perpetuarem no tempo histórico, muitas vezes vejo incautos, desinformados, pessoas mais suscetíveis a qualquer tipo de Fake News dizendo que só existe o sexo biológico, essa existência já justifica a desigualdade entre homens e mulheres, no entanto a natureza e os fenômenos biológicos não fazem valoração moral, para isso é necessário a existência de um agente racional humano para fazer esse tipo de atribuição, a natureza, ela já existia, e ela já existiria independentemente da nossa presença aqui na terra.

Para partilha desigual entre homens e mulheres existir é necessário todo um aparato político e ideológico para fazer os indivíduos se enquadrarem em determinados padrões pré-estabelecidos, se valores morais diferenciados estivessem no nosso código genético o estado, a igreja, a medicina, as mídias fariam tanto esforço para enquadrar as pessoas e suas regras? Eu acho que não. A historiografia e a antropologia já mostraram que a existência de indivíduos considerados “desviantes” da norma sempre houve em várias sociedades, em várias épocas e sempre ouve também um esforço para puni-los, silenciá-los, corrigí-los e enquadralos.


Guilherme Schelb, Procurador Regional da República, faz um alerta à todos os pais sobre o ensino da ideologia de gênero que está sendo apresentado/ensinado às crianças tanto nas escolas públicas quanto nas particulares, ensino este totalmente ilegal.

Por mim meninos e meninas podem ser o que quiserem ser, brincar com os brinquedos que preferirem, usar as cores que mais se indentificarem, ideologia de gênero existe sim, mas não sou eu  que a defende, pelo contrário, eu as denuncio quem faz uso desse instrumento para perpetuar desigualdade e violência, por isso os e as religiosos manipuladores temem tanto pessoas como eu, porque de certa forma incomodo  a ordem divina que eles querem tanto salvaguardar.

A pastora ministra explicou que a referência às cores das roupas das crianças, ou pior a “Nova Era” que começou era uma metáfora que significa na verdade, que ela vai combater a ideologia de gênero. Mas preciso explicar para a ‘ministra” e para seus ultra alienadxs, que todos nós homens e, sobretudo mulheres entenderam muito bem mais este recado. Todas as famílias que não se enquadram no seu modelo heteronormativo, cristão, racista e machista que a pastora/ministra afrontou entenderam.

Todas as crianças que sofrem bullying por não se enquadrarem na sua visão heteronormativa entenderam. Todas as crianças que fazem bullying e os pais que as ensinam a fazer por não suportarem o diferente e por temerem a alteridade entenderam.

Todas as mulheres que sofrem violência ou opressão por serem postas em uma posição rebaixada de submissão aos homens entenderam também. Todas as mulheres que conseguem escapar dessa opressão e se sentem sortudas por isso entenderam.

As mães que criam seus filhos sozinhas entenderam. As famílias das mulheres mortas e abusadas em atos de violência ocorridos no seio da família tradicional entenderam.

As vítimas de violência sexual ocorrida nas casas de famílias tradicionais entenderam. As famílias de todos os mortos em crimes de ódio entenderam.

Todas as vítimas de transfobia, homofobia, machismo e de toda forma de ódio entenderam e sentiram dor.

Todas as pessoas violentas e preconceituosas entenderam também e se identificaram.

Não afronte a todos nós ainda mais, subestimando nossa inteligência.




Em geral quando pensamos em racismo pensamos em uma violência direta a uma pessoa preta, indígena, cigana, judia e etc, quando você ofende alguém, quando você paga um salário menor, quando você impede uma pessoa de avançar socialmente pela cor da pele ou segmento cultural, ou seja, uma discriminação nesta ordem direta.

Entretanto para compreender o racismo precisamos entender o mesmo não como um fenômeno conjuntural, como se fosse algo pontual e, portanto passageiro. O que queremos dizer com isso?

Se o racismo fosse um fenômeno, uma anomalia, a gente geralmente trataria o racismo como uma patologia social ou então como uma patologia atribuída àqueles que são racistas algum tipo de problema intelectual, mental ou mesmo de caráter, a gente costuma tratar o racismo como uma anormalidade.

O que a noção de racismo estrutural coloca é que o racismo não é algo anormal, é algo normal, não no sentido de que devemos aceitar, mas no sentido de que ele existe independente de aceitar ou não, ele constitui as relações com seu padrão de normalidade, ou seja, o racismo é uma forma de racionalidade, é uma forma de normalização (ou normatização), da compreensão das relações, o racismo constitui não só as ações conscientes, mas constitui também a porção do inconsciente, um exemplo disso é do racismo quanto modo de estrutura social, como funcionamento normal da vida cotidiana.

Quando falamos de racismo estrutural podemos tranquilamente balizar o mesmo em três dimensões do racismo entendido nessa perspectiva que não é da patologia, estamos falando de economia, de política e de subjetividade, são os três pontos que constituem o que nós entendemos como estrutural, são três pontos em que os indivíduos são constrangidos e que fazem parte da própria dinâmica com que eles vivem cotidianamente.

Neste sentido vamos pegar, por exemplo, no campo da economia, no Brasil muita gente reclama da Carga Tributária (e o governo do “Coiso” Jair Bolsonaro está neste bate cabeça por conta deste tema) onde quem reclama mais são os grandes empresários, justamente os que proporcionalmente pagam menos tributos, mas são os que mais reclamam e os que menos dependem dos serviços públicos, que exatamente são financiados pela tributação, mas agora vejam só, pesquisas recentes demonstram que o grupo social mais afetado pela Carga Tributária no Brasil são as mulheres pretas, o que é impressionante – Mas porque isso?

Porque existe uma política deliberada do estado brasileiro de tributar mulheres pretas?

Não.

É porque a estrutura, o sistema tributário brasileiro funcionando na sua normalidade, do jeito que foi constituído, funcionando de acordo com as normas estabelecidas, reproduz as condições de aprofundamento das desigualdades que colocam a mulher preta no final da base da pirâmide social.

Por quê?

Porque as mulheres pretas são aquelas que recebem os menores salários, como a tributação brasileira é estruturada fundamentalmente para incidir sobre o consumo e sobre o salário, as pessoas que ganham menos e que também consomem são aquelas que vão pagar proporcionalmente mais impostos, então veja com isso vai formando uma cadeia, se eu ganho pouco, moro em lugares de grande vulnerabilidade, sou privado de algumas necessidades, que vão gerando tensões familiares e sociais, que tornam as pessoas mais propensas a ser vítimas de algum tipo de violência, então conseguimos a partir desta reflexão estabelecer um relação estrutural entre os baixos salários das mulheres pretas, a construção do sistema público tributário, a falta de representatividade da mulher negra nos espaços de poder e as pautas das mulheres negras não tomam corpo a ponto de se tornarem políticas sociais e políticas públicas.

Então vejam que juntando tudo isso a gente consegue entender, por exemplo, outros dados que são assustadores, por exemplo, o fato de que, entre 2003/2013, a violência contra as mulheres brancas recuou quase 10%, mais precisamente 9.8%, só que em compensação a violência contra mulheres pretas aumentou 54.5% o que explica isso não ser uma condição estrutural, mas uma condição de funcionamento normal das instituições.

O que espanta, e eu acho que esta é a questão mais fundamental, sobre como o racismo é estrutural e estruturante das relações sociais e da formação dos sujeitos, é que não há mesmo entre as pessoas que não aceitam esse tipo de violência qualquer tipo de ação política efetiva para se voltar contra isso, ou seja, a sociedade de alguma maneira naturaliza a violência contra pessoas pretas, a sociedade naturaliza violência contra pessoas pretas na sua mais sincera compreensão, a morte de jovens pretos sistematicamente nas periferias não causa choque como deveria causar o assassinato de pessoas, estima-se que de todos os jovens mortos nos últimos anos 77% sejam jovens pretos, o fato do encarceramento em massa atingir prioritariamente pessoas pretas e jovens pretos, isso não causa espanto, o fato de pessoas pretas frequentarem certos ambientes (aeroportos, shoppings, hotéis, lojas e etc…) e isso causar espanto, isso também demonstra o quanto é naturalizada a ausência de pessoas pretas também em certos locais, ou seja, o impressionante quando se assiste a uma novela ou então se assiste a uma sessão no Supremo Tribunal Federal, ou uma sessão no Congresso Nacional, ao se observar que a maioria das pessoas ali presentes naquelas posições são pessoas brancas isso não causa um choque na sociedade, quando se sabe de forma racional que 54% da população nacional brasileira se autodeclara preta, entendemos que há espaços onde só existem pessoas brancas, ou espaços, em geral espaços de poder, de decisão, mas, com a ausência representativa de 54% da população brasileira.

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Ou seja, o racismo é um dado estrutural, é um dado que constitui as próprias relações.

Agora a pergunta é;
É possível mudar isso?

O racismo estrutural tem um outro efeito, um outro sintoma, um sintoma que se dá sobre as pessoas não pretas, sobre as pessoas que não são meras pessoas brancas que é exatamente naturalizar sua condição enquanto pessoa branca, ou seja, a branquitude, o branco, o ser branco se torna regra, o ser preto se torna exceção, o branco não tem raça, quem tem raça é o negro.

Agora tanto ser branco, como ser preto são construções sociais e que são vivenciadas a partir de certos privilégios estruturalmente estabelecidos, enfim neste sentido a luta contra o racismo e, portanto a luta pela transformação social, pela construção de uma sociedade mais justa, solidaria e educadora passa necessariamente pela luta contra o racismo na sua dimensão estrutural e estruturante.

O que significa que se deve abrir mão de privilégios para que a luta contra o racismo seja uma luta efetiva, é uma luta para se desconstituir, aqui cabe um parênteses, que estamos falando do racismo, mas poderíamos facilmente, por exemplo, estar falando aqui de machismo que é a condição do homem, o privilégio masculino que também estrutura as relações sociais e daí se a gente conseguir juntar racismo com política economia à gente já consegue perceber nitidamente como o racismo e é um elemento fundamental de todas as formas de exploração econômica.

Movimento Preto (negro) é o nome dado aos movimentos sociais que fazem um composto de vários coletivos que lutam contra a discriminação racial e social nesse país, pessoas que vivem a diáspora na diáspora, portanto nós somos vários coletivos formados por várias vozes.

Das pretas e pretos da pele mais retinta a menos retinta, que, a partir da narrativa desse movimento promulgam muitas falas de várias dores em várias discussões, basta você começar a se engajar e falar sobre negritude que você estará, de certa forma, se relacionando com o Movimento Preto e em dado momento integrando-o.

Relacionado até mesmo para falar besteira, fazendo coro com o criadores da branquitude vestida de corpo negro, de negros que estão na direita, na esquerda, e estão também no grupo dos patinhos, enfim em todos os lugares, porem e, contudo, o mais importante é lembrar que não existe um movimento negro no Brasil sediado no lugar para poder ficar perseguindo indivíduos, criando pautas segregacionista e buscando calar pessoas, o que pode acontecer são percepções individuais e conflitos nos coletivos locais o que acontece em qualquer lugar do mundo.

Não existe no Brasil um(a) presidente do Movimento Preto, uma carteirinha que lhe conceda passe livre para o lugar de fala, posto esta concepção filosófica do termo e se tiver gente vendendo uma carteirinha se você tem algum problema com algum menino com alguma fala local e o problema específico, basta visitar a história dos que movimentam essa cena desde sua mais que necessária assunção à luta, visite os quilombos,as revoluções baianas pró-abolicionismo de André Rebouças, dos escritos de Milton Santos, Carlos Alberto, Djamila Ribeiro, na voz do Lázaro Ramos, de Érika Malunguinho,de Douglas Belchior, Miltão, T Kaçula, Prof. Juarez Xavier, entre tantos outros e outras que fazem cotidianamente este cíclico movimento.

O Movimento Preto é muito mais do que eu e você, ele é muito mais do que eu aqui nessa terra, e vai continuar existindo após a minha passagem, quando eu e você não mais estivermos neste plano o movimento negro vai continuar (r) existindo na academia e fora dela, através da dança, através do teatro, através da TV, através do Samba, do Hip Hop e demais expressões culturais, o movimento negro no Brasil mesmo sendo negro existe dentro da igreja católica e busca seu lugar de fala, dentro das culturas afro-brasileiras, africana, afro indígenas e etc, o Movimento Preto está em todo lugar, ele tem vários atores em várias peças que compõem esse quebra-cabeça, o movimento negro é muito mais do que eu e você, ele não morre quando a nossa voz para de falar, ele continua nas milhares e milhões de vozes que compõem 54% da população do Brasil.

Importa muito falar sobre a importância do negro em nossa sociedade e para onde estamos caminhando. Onde vai haver ascensão do negro, onde haverá mais cotas, onde haverá mais oportunidades e dando oportunidade para todo mundo e a voz do Movimento Preto é que diz somos vários coletivos várias vozes.  E neste sentido uma bandeira deve ser hasteada, a bandeira do combate ao racismo estrutural, estruturante e institucionalizado.

Esta é a principal bandeira de luta ao meu ver, combater o racismo estrutural na sua gênese, mais que racismo estrutural, como percebemos, identificamos e intervimos as violências com este recorte e como a partir do Movimento Preto atuamos para a sua derrocada?

A Nova Frente Negra Brasileira como mais uma potência do Movimento Preto se coloca cada vez mais no centro do debate do racismo estrutural na medida em que questiona e apresenta argumentos, dados e fatos sobre a necessidade de ocupação de espaços de poder e decisão e assim, como diz Erika Malunguinho, ativista política e sócio cultural e deputada estadual eleita em São Paulo, que passou da hora da “inevitável reintegração de posse” por #NenhumDireitoAMenosParaPretasEPretos #JuntosPodemosMudarOBrasil por um Movimento Preto potente.

Venha dialogar com a Nova Frente Negra Brasileira e juntos #FaremosPalmaresDeNovo

Bob Controversista

Nova Frente Negra Brasileira – Francisco Morato – SP – 2019

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Arte desenvolvida por ms.picture, empreendimento de comunicação social cujo a CEO Mayra Sales busca a potencialização de pautas referentes ao papel dx pretx no mercado e na sociedade como espaço de relações. A marca inicia uma transição para MS.Cangoma Picture – a palavra “cangoma” significa “festa dos tambores”. Fazer um Cangoma significa “vamos festejar”