Um ciclo que se encerra, para que outro se inicie. PC do B reproduz a historia do Partidão?

Publicado: 01/16/2019 em Uncategorized

Estou sendo muito humilde, ponderado e decidido sobre meu afastamento do PCdoB, e possível, até então, desfiliação, em respeito a minha trajetória de militância e de muitas pessoas por quem tenho enorme carinho e admiração.

Busquei ouvir e escutar vários e varias militantes, mais novos e mais velhos, ouvir e escutar a sabedoria popular e de base, buscando construir uma decisão o mais assertiva possível no que diz respeito a minha militância política partidária institucionalizada nesta agremiação.

Não me tinha desfiliado ainda porque não queria ser um número negativo em momento de construção e disputa de imaginários e isso se inicia em 2013. Em 2014 encampamos em uma das mais duras campanhas eleitorais desde a redemocratização, passamos por um processo de construção da retomada da governabilidade da Presidenta Dilma, barrando pautas bombas, nos conselhos nacionais que compomos fizemos o bom combate, sem em momento algum titubear ideológica e programaticamente com quem for, porem o golpe se consolidou e com ele o inicio de uma serie de retrocessos em políticas publicas e programas direcionados à população preta e pobre foram gradativamente sendo dissolvidos.

Devo ressaltar que o PCdoB desenvolveu um trabalho elogiado por varixs quadrxs de partidos de direita e de esquerda e me ajudou muito a ler o mundo em uma pesperctiva ainda mais critica e transformadora.

Mas é impressionante a sucessão de escolhas políticas desastrosas, na minha ótica, que as direções municipais, estaduais e nacional vêem tomando nos últimos anos. Pior ainda, ler e ouvir narrativas fantasiosas pra justificar um fisiologismo que envergonha qualquer comunista, reformismo e conciliação de classes nesta conjuntura é inadmissível.

Fico me perguntando o que pessoas como Grabois, Elza Monnerat, Osvaldão, Dina, Helenira, João Amazonas e tantxs outrxs pensariam sobre toda essa degenerescência.

Estou buscando guarida em novas trincheiras.

Entendendo o momento histórico;

Entendo a necessidade da construção coletiva, denegrida, solidária e alinhada com as necessidades e demandas do povo preto e pobre e a necessária busca por protagonismo preto nas esferas de poder e decisão;

Entendo que determinadas contradições não devem ser apaziguadas com retórica e desprendimento das raízes da luta proletária, pela Igualdade, justiça, solidariedade e anti racista;

Entendo que em análises para além da conjuntura precisamos construir organismos de bases potentes e alinhados organicamente no sentido da virada de mesa em um contexto de ampliação das violações de direitos humanos e da sustentabilidade de novas e renovadas ações e projetos.

O PCdoB apoia o candidato apoiado pelo neofascista presidente Jair Bolsonaro.

E ainda “esclarece”: “descarta bloco com PSL”.

É ou não é surreal? Será que um partido, supostamente comunista, poderia sequer cogitar “bloco com PSL”? A ponto de se dizer explicitamente que esse não é o caso.

O oportunismo desavergonhado a que chegamos não tem limites.

Depois de apoiar o candidato de Bolsonaro, presidente de extrema-direita, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), golpista de carteirinha, um dos líderes do desmonte neoliberal da economia do nosso país, entreguista desde sempre, os oportunistas acham que podem “salvar a face” ao dizer que “descartam bloco com PSL” – essa a função´do adendo, só concebível em quem chafurda completamente no oportunismo.

Aqui a chave da “argumentação” da decisão oportunista do PCdoB, transcrita do “Portal Vermelho“:

“De acordo com Luciana Santos, a atual conjuntura pede uma composição mais ampla para o cargo. ‘Neste momento, com uma correlação de forças tão adversa, não era possível imaginar que uma candidatura do nosso campo sairia vitoriosa. Era necessário fazer composições políticas que permitam que nosso combate, debate de ideias e resistência possam se desenvolver. Precisamos ter no comando da Casa alguém que respeite o papel da Oposição e das Minorias, porque vivemos uma onda antidemocrática, de ataque ao nosso campo e é necessário a gente ter relações institucionais que possam garantir que a resistência e a atuação do bloco da Oposição se dê com o mínimo de civilidade e respeito às diferenças que temos com as pautas que vão vir do governo para a Câmara dos Deputados’, afirmou.

Para ela, Maia, entre os candidatos, é o que melhor reúne condições para assumir compromisso com a institucionalidade e autonomia do Poder Legislativo. ‘Estabelecemos uma relação de confiança com o deputado Rodrigo Maia há mais de três anos, inclusive cumprindo compromissos com o PCdoB’, pontuou”.

Luciana Santos é a presidenta do PCdoB – na foto, com o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), um dos articuladores do apoio a Maia; aliás, em 2016, ele já havia sido um dos principais cabos eleitorais da candidatura de Maia, nitidamente comprometida com o golpismo e o estado de Exceção vigente.

Há tempos o PCdoB desenvolve a “teoria”, ou melhor, repete a “teoria”, chorumela esdrúxula (estranha e hostil ao marxismo) da autonomia da “luta institucional”.

Trata-se do bê-á-bá para qualquer comunista: a atuação dos comunistas nas instituições burguesas só tem sentido subordinada à luta popular de massas, deve inclusive servir para estimulá-la.

Não existe, a não ser para o liberalismo, a “autonomia da luta institucional”, que não tem outra função que não a de apartar, distanciar, separar o povo da luta política, entregue com exclusividade aos “representantes” do parlamento, ou a mandatários do Executivo.

Isso pode ser “muito bonito” para as falsas idealizações do liberalismo, mas para comunistas, e sua teoria, o marxismo, tem outro nome: cretinismo parlamentar.

É cretinismo parlamentar reduzir a atual eleição da Câmara à “Casa”, como diz Luciana, ou achar que uma das principalidades desta eleição é que “neste momento, com uma correlação de forças tão adversa, não era possível imaginar que uma candidatura do nosso campo sairia vitoriosa”.Resultado de imagem para pc do b abraça a direita

Isso é a ótica de quem limita a política ao plenário da Câmara dos Deputados.

Como é patente também neste trecho: “Era necessário fazer composições políticas que permitam que nosso combate, debate de ideias e resistência possam se desenvolver”, e o mais que se segue.

Não, Luciana, o combate dos comunistas, e de todos os democratas, se desenvolve na medida que animem a resistência popular ao bolsonarismo, e, para isso, subordinem sua atuação parlamentar a este objetivo.

Não será apoiando o candidato de Bolsonaro que estimularemos a luta contra o governo neofascista.

Nem sequer, não nos apoiando no povo, nos divorciando dele, sinalizado pelo apoio a Maia, não teremos condições sequer de garantir “o mínimo de civilidade” pretendido.

Maia não tem nada de confiável, e não é necessário ser comunista, a corrente política mais radicalmente democrática, para perceber isso. É só se ater aos fatos, e à folha corrida de Maia.

Mas se vê a causa do cretinismo parlamentar ao se constatar que não é de hoje, é de há muito tempo: o PCdoB, em grande parte se tornou um partido meramente eleitoral, fato completamente estranho à necessidade da existência de um partido comunista; que não pode, obviamente, perverter suas características e se metamorfosear em um partido “eleitoral”, semelhante, aos partidos burgueses.

O desvio de direita vem de longe, presente como também está agora na articulação deste bloquinho – para “ampliar a luta”, companheiros? -, que busca aglutinar siglas, com o “detalhe” de pretender excluir a sigla mais forte da esquerda, o PT.

Bloquinho que vem a calhar para um político arrivista burguês notório como Ciro Gomes, sempre pronto a ter uma desculpa para a ausência da luta antifascista.

O PCdoB abra o olho, está cada vez mais parecido, com seu desvio de direita, ao antigo Partidão. E foi o direitismo que levou à liquidação prática do antigo PCB.

Os comunistas honestos, e são muitos, dentro do PCdoB, não podem assistir passivamente a posições desmoralizadas e desmoralizantes com o o apoio a Maia.

Há duas tática na luta contra o bolsonarismo, a dos liberais, e a democrático-popular.

Os comunistas devem lutar por exercer seu papel de vanguarda na luta democrática e popular, nunca ficar a reboque dos liberais.

Apoiar Maia é tão ruim que consegue ser até pior que ficar a reboque dos liberais, o que já seria péssimo; é para lá de péssimo: é conciliar com o governo neofascista de Bolsonaro.

Resultado de imagem para pc do b abraça a direitaNeste sentido me despeço do Partido Comunista do Brasil rogando que a práxis seja revolucionária e alinhada com os oprimidos e oprimidas do Brasil e da América do Sul.

 

 

 

 

Vida que segue na luta por #NenhumDireitoAMenosParaPretosEPretas

Bob Controversista

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